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Como o EOR ajuda a reduzir riscos de classificação incorreta de colaboradores

Como o EOR ajuda a reduzir riscos de classificação incorreta de colaboradores

A expansão global de empresas e a adoção do trabalho remoto transformaram a maneira como as organizações buscam talentos. 

Hoje, uma empresa sediada na Europa ou nos Estados Unidos pode contratar desenvolvedores no Brasil, designers na Argentina ou gerentes de projeto no México com facilidade tecnológica. 

No entanto, essa facilidade operacional esconde um dos riscos jurídicos e financeiros mais severos para negócios internacionais: a classificação incorreta de colaboradores.

A distinção entre um prestador de serviços independente (contractor) e um funcionário em tempo integral é sutil em muitas legislações, mas as consequências de errar nessa definição são drásticas. É neste cenário que o modelo de Employer of Record (EOR) surge não apenas como uma ferramenta de facilitação de pagamentos, mas como um escudo estratégico contra passivos trabalhistas.

Neste artigo, explicaremos detalhadamente o funcionamento do sistema EOR e analisaremos como essa solução elimina as dúvidas da contratação internacional, protegendo sua empresa de multas, processos judiciais e danos à reputação.

O que é e como funciona o Employer of Record (EOR)?

Para compreender a redução de riscos, é fundamental entender a mecânica do EOR. O Employer of Record, ou Empregador de Registro, é uma entidade legal terceirizada que assume a responsabilidade formal de empregar trabalhadores em nome de outra empresa.

O funcionamento baseia-se em uma relação triangular que resolve barreiras burocráticas:

Em essência, o EOR permite que uma empresa contrate talentos em qualquer lugar do mundo sem a necessidade de abrir uma filial (subsidiária) em cada país estrangeiro. Isso economiza meses de processos burocráticos e milhares de dólares em custos de constituição de empresa. No entanto, o valor do EOR transcende a agilidade; seu maior ativo é a compliance (conformidade).

O risco da classificação incorreta: "Contractor" vs. Funcionário

O cerne do problema que o EOR resolve reside na tentação de contratar profissionais estrangeiros como “prestadores de serviço independentes” (contractors), mesmo quando eles atuam como funcionários.

Muitas empresas, ao expandirem para a América Latina ou outras regiões, optam por pagar seus talentos remotos através de faturas (invoices), tratando-os como autônomos. A curto prazo, isso parece vantajoso: não há encargos sociais, não há gestão de férias remuneradas e a burocracia é mínima.

Contudo, as autoridades fiscais e trabalhistas ao redor do mundo utilizam critérios específicos para determinar se uma relação é de prestação de serviço ou de emprego. Se a relação de trabalho falha no “teste da realidade”, a empresa pode ser acusada de classificação incorreta.

Critérios de Classificação Legal

Os critérios variam de país para país, mas geralmente incluem:

Subordinação

A empresa controla como, quando e onde o trabalho é feito?

Contractor (Autônomo)

• Define seus próprios horários
• Escolhe onde trabalhar
• Define como executar as tarefas

Funcionário

• Segue horário da empresa
• Trabalha no local determinado
• Recebe instruções diretas

Habitualidade e exclusividade

O trabalho é contínuo? O profissional trabalha apenas para essa empresa ou possui múltiplos clientes?

Contractor (Autônomo)

• Projetos pontuais
• Múltiplos clientes simultâneos

Funcionário

• Trabalho contínuo e regular
• Dedicação exclusiva

Integração

O trabalho realizado é parte do "core business" da empresa?

Contractor (Autônomo)

• Atividades periféricas
• Serviços especializados pontuais

Funcionário

• Atividades essenciais
• Parte integral do negócio

Ferramentas e riscos

Quem fornece os equipamentos? Quem assume o risco financeiro da atividade?

Contractor (Autônomo)

• Usa seus próprios equipamentos
• Assume riscos do negócio

Funcionário

• Empresa fornece equipamentos
• Empresa assume todos os riscos

Se a empresa controla horários, fornece equipamentos, exige exclusividade e integra o profissional na hierarquia interna, ele é, para todos os efeitos legais, um funcionário. Tratá-lo como contractor é uma infração legal.

EOR e as consequências da classificação incorreta

Os riscos de manter colaboradores classificados incorretamente são altos e podem comprometer a operação da empresa no país alvo. As penalidades incluem:

  1. Passivos trabalhistas retroativos: a empresa pode ser obrigada a pagar todos os benefícios não concedidos desde o início da relação (férias, 13º salário, FGTS no caso do Brasil, seguros, etc.), com juros e correções.
  2. Multas fiscais e previdenciárias: o não recolhimento de impostos na fonte e contribuições para a seguridade social gera multas pesadas aplicadas pelos governos locais.
  3. Processos judiciais: o profissional pode processar a empresa exigindo o reconhecimento do vínculo empregatício. Na América Latina, a justiça do trabalho tende a ser protetiva ao trabalhador.
  4. Riscos à Propriedade Intelectual (PI): em muitas jurisdições, a transferência de PI funciona de forma diferente para funcionários e autônomos. Se um contrato de contractor for invalidado pela justiça, a empresa pode descobrir que não possui legalmente os direitos sobre o software ou produto desenvolvido por aquele profissional.

Impedimento de operação: em casos graves, a empresa pode ser impedida de operar comercialmente no país.

Leia também:

Expansão internacional: Abrir uma empresa vs usar um EOR vs pagar um consultor

Como o EOR mitiga e elimina esses riscos

A utilização de um Employer of Record é a resposta direta para neutralizar os perigos citados acima. Abaixo, detalhamos como essa estrutura protege a empresa cliente.

Formalização do Vínculo Empregatício

Ao utilizar um EOR, a relação de "falso autônomo" deixa de existir. O profissional é contratado com carteira assinada (ou equivalente local), seguindo 100% da legislação do país de residência.

Benefício:

Isso significa que o profissional terá direito a férias, licenças médicas, licença-maternidade/paternidade, seguro-desemprego e aposentadoria. A empresa cliente paga por esses custos dentro da fatura do EOR, garantindo que não haja passivos ocultos se acumulando.

Ao transformar o contractor em funcionário legal via EOR, o risco de processo por reconhecimento de vínculo cai a zero, pois o vínculo já existe e é formal.

Expertise na Legislação local

As leis trabalhistas mudam constantemente. Na América Latina, países como Brasil, México e Argentina possuem códigos trabalhistas complexos, com convenções coletivas e sindicatos fortes. Tentar gerenciar esses aspectos internamente, sem uma equipe de RH local, é propenso a erros. O EOR possui especialistas locais que garantem que o contrato de trabalho esteja atualizado com as últimas reformas legislativas. Eles sabem, por exemplo, como calcular corretamente as verbas rescisórias no México ou como funcionam os depósitos compulsórios no Brasil, retirando essa carga cognitiva e o risco de erro da empresa estrangeira.

Gestão Correta de Benefícios

Oferecer benefícios (como plano de saúde ou vale-refeição) a um contractor pode ser usado como prova de vínculo empregatício em um tribunal, configurando a classificação incorreta. Por outro lado, não oferecer benefícios torna a vaga menos atraente.

Com o EOR, a empresa pode oferecer pacotes de benefícios competitivos e robustos legalmente. Como o profissional é um funcionário registrado do EOR, ele é elegível a todos os benefícios estatutários e complementares sem que isso gere risco jurídico para a empresa cliente. Resultado: atração e retenção de talentos sem riscos legais.

Proteção da Propriedade Intelectual

Os contratos firmados pelo EOR com o funcionário contêm cláusulas robustas de confidencialidade e cessão de propriedade intelectual, redigidas de acordo com as leis locais. Isso garante que todo o trabalho produzido pelo colaborador pertença legalmente à empresa cliente, sem as brechas que contratos genéricos de prestação de serviço costumam apresentar.

Quando migrar de Contractor para EOR?

 

Nem toda contratação exige um EOR. Se o profissional executa um projeto pontual, com prazo definido, possui autonomia total e tem outros clientes, o modelo de contractor é válido.

No entanto, a migração para EOR é imperativa quando:

  • A empresa deseja reter o talento a longo prazo.
  • O profissional trabalha em horário fixo e responde à gerência da empresa.
  • A empresa quer oferecer benefícios para equiparar a equipe remota à equipe local.

A empresa planeja uma IPO ou fusão/aquisição (onde passivos trabalhistas ocultos podem desvalorizar o negócio durante a Due Diligence).

A importância da escolha do parceiro correto

O mercado de EOR cresceu, mas nem todos os provedores operam com a mesma rigidez. Alguns utilizam agregadores terceirizados, criando mais uma camada na cadeia de responsabilidade. Para garantir a segurança jurídica, é essencial buscar parceiros que tenham entidades próprias nos países de interesse e conhecimento profundo da região.

A América Latina, em particular, requer um trabalho cuidadoso. As leis são protecionistas e a burocracia pode ser lenta para quem não conhece os atalhos legais. Um parceiro com foco regional consegue entregar não apenas a conformidade técnica, mas também um suporte humanizado ao colaborador, explicando holerites e benefícios na língua local e no fuso horário correto.

A classificação incorreta de colaboradores não é apenas um erro administrativo; é uma falha estratégica que pode custar milhões e inviabilizar operações internacionais. Enquanto o modelo de contratação direta de autônomos pode parecer mais barato à primeira vista, ele carrega uma “dívida de risco” que cresce a cada mês de trabalho.

O sistema Employer of Record (EOR) oferece a infraestrutura necessária para que empresas globais contratem os melhores talentos onde quer que eles estejam, com a segurança de que cada centavo de imposto está sendo recolhido e cada direito trabalhista está sendo respeitado. Isso libera a empresa para focar no que realmente importa: crescimento, inovação e gestão de pessoas.

Para empresas que buscam expandir suas operações ou regularizar times remotos na América Latina, a Europortage se destaca como uma parceira estratégica essencial. Especializada no complexo ambiente regulatório latino-americano, a Europortage oferece soluções de EOR que garantem total conformidade legal, gestão eficiente de folha de pagamento e suporte local.

Ao escolher a Europortage, sua empresa não apenas mitiga os riscos de classificação incorreta, mas também demonstra um compromisso com as melhores práticas de RH, valorizando seus talentos internacionais com a segurança e os benefícios que eles merecem. 

Entre em contato com a Europortage para entender como podemos simplificar sua expansão global.

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